
por Rafael Rodrigues (estudante de Direito)
As chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, que começaram na terça (11), já contabilizam mais de 680 mortes e 21.000 pessoas desabrigadas. Essa foi a maior tragédia climática do país. Cidades como Nova Friburgo, Teresópolis entre outras, estão destruídas, são milhares de desabrigados e famílias destruídas pela perda de familiares.
Não é de hoje que esses desastres naturais acontecem pelo Brasil. Em 1966 um temporal que causou enchentes e deslizamentos foi histórico para o Rio, deixou 250 mortos e 50 mil desabrigados. Em Caraguatatuba, litoral de São Paulo, a enchente destruiu casas e estradas e matou 436 pessoas. Rio de Janeiro, 1988, um temporal de meia hora causou deslizamentos e enchentes, tirando a vida de 300 pessoas. Ano passado, em nova tragédia no Rio, o número de mortos, em virtude de deslizamentos causados por fortes chuvas, chegou a 283.
Agora vem uma questão primordial, para que possamos entender essas tragédias. O excesso de chuvas nos pega, muitas vezes, de surpresa, mas onde está o governo nessas horas? Há muito tempo, vemos jornais e revistas darem a mesma resposta para o problema das enchentes, a falta de investimento em políticas públicas!
Levantamento feito pela Folha de S. Paulo mostra que o governo do Rio gastou dez vezes mais em reconstrução do que em prevenção e a União segue o mesmo caminho, em 2010 investiu quatorze vezes mais reconstruindo do que prevenindo. E é por isso que vemos gente morrendo! Hoje, as grandes cidades brasileiras não têm estrutura necessária para aguentar fortes chuvas, e a cada ano que chega vemos centenas de pessoas morrendo, perdendo tudo que tem, inclusive seu teto, e o governo não faz as obras necessárias para que esses problemas sejam amenizados.
Muita gente se pergunta o porquê dessas obras de prevenção ainda não terem sido realizadas, eu lhes respondo meus caros, pois obra de infraestrutura e saneamento não são obras eleitoreiras. A copa e as olimpíadas sim são obras vistosas, que darão votos para esses políticos sem vergonha que colocam interesses individuais sobre o bem estar da população, e para piorar a situação, a maioria do povo se contenta com isso, e dão seu aval para que os políticos façam o que bem entenderem. Mas quando a bomba estoura, como aconteceu essa semana, vem a população reclamar da falta políticas públicas, e o governo dar suas “desculpinhas”.
Não adianta colocarmos a culpa na natureza em face da negligência do governo. O que me preocupa, é que não há vontade do poder público para fazer uma revolução na política habitacional do país, muito menos vontade de investir em saneamento. E o que impressiona é que a população se mantém apática, e só se movimentam, quando a tragédia se forma.
Muitos não devem saber, mas o “Contas Abertas”, divulgou uma reportagem mostrando que, o Ministério da Integração Nacional deixou de investir, nos últimos sete anos, R$ 1,8 bilhão na prevenção de danos e prejuízos causados por desastres ambientais em todo o país e mais, há dois anos, o mesmo Ministério tenta viabilizar um Centro Nacional de Gerenciamento de Desastres (Cenad), mas algo que poderia minimizar os desastres provocados pelas chuvas, nem sequer saiu do papel.
Os problemas estão aí, Dilma Rousseff terá um árduo desafio em seu governo, melhorar a infraestrutura de cidades que são manchadas por um rastro de enchentes e deslizamentos, que sofrem com a ocupação irregular, com a falta de um plano de alerta à população, que não tem meios de drenagem da água e que sofre de uma política imobiliária precária, onde a população, por não ter meios para comprar sua casa própria em um bom local, segue para as áreas de risco. A nova Presidente já prometeu que investirá na prevenção de enchentes no país e pretende investir R$ 11 bilhões em drenagem e proteção de encostas, para combater problema da ocupação em áreas de risco, e espero que dessa vez, o poder público cumpra com sua palavra!