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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A questão da obrigatoriedade do voto e o fenômeno Tiririca


por Alex Toledo
 
   Pode parecer estranho, mas a eleição de Tiririca tem um fator muito positivo. No horário eleitoral gratuito o então candidato, zombava do processo político afirmando não saber qual era a função a que se candidatava e que pior do que o Brasil estava não podia ficar. Querendo se promover ou não, o que importa é que Francisco Everardo Oliveira Silva, nome verdadeiro do palhaço, abriu os olhos das pessoas para um assunto muitíssimo pertinente: o voto.    Analisando a expressiva votação que recebeu e sua assumida ignorância em relação à política, constata-se que o Brasil deve passar por necessárias reformas. Os milhões de votos que Tiririca recebeu, alertaram a muitos sobre como o brasileiro vota e seu despreparo para o ato. É nesse ponto que o agora deputado federal contribui, mostrando que o voto deve se tornar facultativo, não obrigando a quem não está, nem quer se preparar para eleger alguém.   O palhaço que fazia rir na TV, nos faz agora refletir seriamente que, revoltadas com a imposição do voto, as pessoas zombam igualmente da política desvalorizando o poder de mudança que têm na ponta dos dedos. Será que as pessoas que votaram nele e em outros candidatos ficha suja, teriam tal determinação e vontade para sair de suas casas e enfrentar uma fila pra votar se o voto fosse opcional?    Diversos países dos cinco continentes e todos do G-8 têm por facultativo o voto. Quantos palhaços serão necessários para mudar o palco de horrores da política brasileira transformando-o em um espetáculo de liberdade?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pouca eficiência, muita destruição!


por Rafael Rodrigues


A usina de Belo Monte é um mega projeto que o governo Federal há tempos tenta viabilizar, são mais de 30 anos de discussões. E na era do presidente Lula, esse assunto ganhou grande destaque e causou sérias divergências entre governo e ONGs. Já de início, gostaria de mostra meu repúdio diante dessa obra faraônica, logo vocês entenderão o porquê.
A gigantesca usina será construída no rio Xingu, localizado no Pará, e vai abranger cinco cidades: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Há previsões de que ela começará a funcionar em 2015, porém, suas obras terão fim em 2019. Ela será a terceira maior usina do mundo em capacidade instalada, atrás das Usinas de Três Gargantas, na China, e de Itaipu, usina binacional que fica na fronteira do Brasil com Paraguai. Segundo o governo, a hidrelétrica possuirá uma capacidade para abastecer 26 milhões de habitantes.
Porém, junto com Belo Monte, chegam meus grandes receios. Francisco Hernandez, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo , afirma que a instalação de Belo Monte provocará uma interrupção do rio Xingu em cerca de 100 km, reduzindo significativamente a vazão do rio, e continua “Isso causará uma redução drástica da oferta de água dessa região imensa, onde estão povos ribeirinhos, pescadores, duas terras indígenas, e dois municípios". Além dos problemas citados pelo pesquisador, a usina afetaria a fauna e a flora local. Sérgio Abranches, sociólogo, diz que a capacidade de energia que será gerada pela hidrelétrica, segundo informações do governo federal, é de 11.233 MW, porém, essa marca não será alcançada, teremos uma produção máxima de 4.420 MW anualmente, e ele afirma ainda que, o valor total projeto não será 19 milhões, mas sim 30 milhões.
Belo Monte será a hidrelétrica que produzirá menos energia, proporcionalmente à capacidade de produção, e a mais cara para os investidores, isso comparando outros grandes empreendimentos. Ela inundará cerca de 51.600 hectares de floresta.
Mas além de todos os problemas ambientais, Belo Monte passa também, por relutâncias jurídicas. O Ministério Público Federal ajuizou no dia 27 de janeiro uma Ação civil pública pedindo a suspensão imediata da licença parcial concedida pelo IBAMA. O MPF alega que essa licença é totalmente ilegal, visto que as 40 condicionantes gerais, e as outras 26 relacionadas aos índios que vivem na região do Xingu, não foram cumpridas.
Quando o pedido de liberação da licença prévia foi feito, os técnicos do IBAMA haviam alertado que o risco ambiental não tinha sido bem avaliado, mesmo assim, o governo federal passou por cima de todas as considerações desses profissionais, exonerou gente, e enfim, o IBAMA cometeu a atrocidade ambiental, e liberou a dita cuja.
Depois de pressões sofridas para que houvesse a licença definitiva para a instalação da usina, que seria liberada em nome do IBAMA, Abelardo Bayma, presidente do Instituto, pediu demissão do cargo. Segundo o Procurador da República Felício Pontes Jr., “Devido a decisões como essa, podemos dizer que hoje o IBAMA é o maior infrator ambiental na Amazônia.”
Meus caros, a usina de Belo Monte será um atentado ambiental. Além de não ser uma usina tão produtiva, como afirma o governo, ela mudará a vida das comunidades que dependem do rio Xingu, e afetará a fauna e flora do local. O governo deveria pensar em preservar suas riquezas naturais, ao invés de partir em busca de um desenvolvimento desenfreado, como acontece atualmente. A sustentabilidade é sim prática possível, basta considerarmos a importância do meio ambiente para o país e criarmos medidas que aliem o desenvolvimento com a preservação do patrimônio natural. Os críticos dessa ideia são, em sua maioria, desenvolvimentistas que ainda não levaram em consideração, o grave desequilíbrio ambiental que teremos sem as matas, as espécies de animais, sem nossos belíssimos rios. Temos condições de melhorar o sistema energético do país, se houver investimentos em otimização das usinas já existentes, em novas fontes de energia, como a eólica e a solar, e até mesmo a elaboração de novos projetos menos destrutivos.
Para finalizar, gostaria de citar a fala de minha grande amiga, Nilva Maltezo, que em grande parte de sua vida trabalhou na área da agricultura, “O desenvolvimento é muito importante para o país, mas sem ar, você não respira.”, pense nisso!