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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A questão da obrigatoriedade do voto e o fenômeno Tiririca


por Alex Toledo
 
   Pode parecer estranho, mas a eleição de Tiririca tem um fator muito positivo. No horário eleitoral gratuito o então candidato, zombava do processo político afirmando não saber qual era a função a que se candidatava e que pior do que o Brasil estava não podia ficar. Querendo se promover ou não, o que importa é que Francisco Everardo Oliveira Silva, nome verdadeiro do palhaço, abriu os olhos das pessoas para um assunto muitíssimo pertinente: o voto.    Analisando a expressiva votação que recebeu e sua assumida ignorância em relação à política, constata-se que o Brasil deve passar por necessárias reformas. Os milhões de votos que Tiririca recebeu, alertaram a muitos sobre como o brasileiro vota e seu despreparo para o ato. É nesse ponto que o agora deputado federal contribui, mostrando que o voto deve se tornar facultativo, não obrigando a quem não está, nem quer se preparar para eleger alguém.   O palhaço que fazia rir na TV, nos faz agora refletir seriamente que, revoltadas com a imposição do voto, as pessoas zombam igualmente da política desvalorizando o poder de mudança que têm na ponta dos dedos. Será que as pessoas que votaram nele e em outros candidatos ficha suja, teriam tal determinação e vontade para sair de suas casas e enfrentar uma fila pra votar se o voto fosse opcional?    Diversos países dos cinco continentes e todos do G-8 têm por facultativo o voto. Quantos palhaços serão necessários para mudar o palco de horrores da política brasileira transformando-o em um espetáculo de liberdade?

6 comentários:

  1. Discordo. Primeiramente esses países que formam o G-8 têm anos de democracia e nós brasileiros temos apenas 22 anos de plena democracia. Outro ponto que deve ser analisado e a educação desses países, o politização de seu povo. Não podemos nos comparar com esses países. No nosso sistema de foto existe a opção o branco e do nulo. A eleição do Tiririca, e de outros, é reflexo dessas falhas em nossa sociedade. O voto facultativo não mudaria em nada essa situação. Como saber que quem votou no palhaço realmente acredita que ele possa ser um fator de mudança, isso só o tempo dirá. Outro ponto que devemos então comparar. Nos EUA o voto é facultativo, mas na Califórnia o Arnold Schwarzenegger foi eleito governador, quem afirmaria que esse Austríaco seria um bom governador? No mesmo país elegeram presidente Ronald Reagan, conhecido por ser ator de cinema, e foi um respeitado presidente. Só por que o Tiririca é palhaço que ele não tem a mesma importância na sociedade como esses dois que eu citei? Realmente a campanha do Tiririca foi na base da piada e isso prova o ponto que falei acima, o nosso povo não é politizado por culpa da má educação. É isso que vai mudar o Brasil e não o voto facultativo.

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  2. Não é só porque o Tiririca é (era) palhaço que ele não é digno de ser votado. O problema foi ter afirmado não saber nada sobre o cargo e falar que queria ser deputado para se ajudar e a família. Com o material de propaganda que ele apresentava na TV durante a campanha, dá pra ver que ninguém em sã consciência votou nele por causa de propostas, até porque ele não tinha. Quem votou nele votou em forma de protesto ou até mesmo para zombar da política no Brasil.

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  3. E o voto opcional pode não ser a solução absoluta, mas pessoas sem ideal, que votariam num candidato por votar não se dariam ao trabalho de sair de casa e enfrentar fila pra votar. E apesar disso, numa democracia, nem o voto deve ser uma imposição.

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  4. Mas o voto obrigatório serve para demonstrar para as pessoas que eles são uma peça fundamental da democracia. Terem votado no Tiririca comprova o meu argumento que as pessoas estão alienadas na política e o voto facultativo iria alienar ainda mais a população. O que o Obama conseguiu em sua campanha foi justamente isso, trazer as pessoas alienadas a se interessarem por política. Nós que vemos os EUA como uma grande potência mundial achamos que lá tudo funciona perfeitamente. Sabemos por notícias que o sistema eleitoral deles é muito mais desorganizado que o nosso. E que muitas pessoas não sabem que lá os políticos manipulam muito mais que aqui. O que nós devemos defender não é o voto facultativo e sim campanhas de conscientização da população para a importância do voto. Como eu falei, se não tem candidatos bons o suficiente para o cargo que se vote em branco ou em nulo, eu fiz isso nesse último pleito.

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  5. Sou totalmente favorável ao voto facultativo... Quem não está interessado vai votar em qualquer candidato, ou anular/votar em branco, jogando fora o "direito/obrigação de votar".
    Em um país como o nosso, sem consciência política, e aonde menos de 70 dos 513 deputados federais foram eleitos pelo voto direto, o voto obrigatório gera aberrações e ajuda os políticos corruptos e que fazem puro assistencialismo...

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  6. Mas com o voto facultativo se a pessoa não for votar ela também estará jogando fora o seu direito de votar. Fora que na democracia as decisões são da maioria, se houver voto facultativo e uma minoria for votar, o desejo da minoria prevalecerá sobre a maioria. Creio que essa discussão que sempre aflora quando a minoria intelectualizada brasileira se vê afrontada pela escolha da maioria. O que devemos mudar no Brasil não é essa questão, nem com voto facultativo as coisas vão melhorar. Repetindo o que eu falei. Só com voto obrigatório mostraremos que é responsabilidade de todos o destino do nosso país. Creio que só devemos voltar com essa discussão quando tivermos melhorias significativas na educação.
    Sobre os 70 dos 513 deputados federais serem eleitos por voto direto (entendi o uso do termo porém está errado, foram eleitos por votos proporcionais porém o eleitor votou pensando neles.) isso é modificado com uma reforma política, não pela maneira de se votar.

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